Ajude o Peli a botar gasolina no seu carro!

quarta-feira, fevereiro 18, 2004

Ex-Filho da Pátria
por Pelife

Franklyn sempre foi um sujeito normal. Nasceu de parto normal. Com uma infância normal.

Mas sua adolescência, na década de 70, foi de militância contra a ditadura. Com a queda de Figueiredo e a re-implantação da democracia, Franklyn viu sua vida voltar ao normal. Casou-se com Sandra, uma vendedora de bijuterias autônoma. Os anos felizes de casamento resultaram em um belo filho de nome Pedro.

Franklyn foi um bom pai. Pagou os melhores colégios para o filho, mantinha um motorista a sua disposição - armado pois era um policial de reserva que fazia às vezes de segurança de Pedro - e gastava com o plano de saúde Gold Plus para proteger sua família de qualquer problema na questão de saúde.

Franklyn sempre pagou seus impostos.

Franklyn estava insatisfeito: Para onde iriam seus 27% de arrecadação de sua renda? Educação? Saúde pública? Segurança?

Mas ora, Franklyn sempre pagou por esses ítens, porque pagaria de novo para o governo?

No dia seguinte, nosso herói foi para o Ministério Público munido de seu Passaporte, Certidão de Nascimento, RG, CPF e CNH. Não queria mais depender do governo. Não queria mais ser um cidadão desta República aonde não via seu dinheiro ser bem aplicado. Ele sempre pagou por aquilo que o governo deveria dar a ele. Resolveu viver em seu mundo. Sua Franklynlândia.

Tentou convencer seus amigos. Os amigos tentaram desestimula-lo:

- A rua que você anda foi feita com seu dinheiro.

- Então não irei mais andar na rua. Meu centavo governo nenhum irá receber.

Os amigos o foram abandonando.

- Sandra, minha amada e fiel esposa, me entendes?

Sandra virou-lhe as costas e foi passar um tempo na casa de Friburgo de sua tia.

Pedro, formado com dinheiro de seu pai, com saúde perfeita subsidiada pelo seu pai e vivo nessa selva urbana, saiu de casa para começar sua vida.

E Franklyn, convicto de seus ideais ficou abandonado. Morreu só.

E o Governo arrecadando os 27% da renda de outros 1.699.999 pessoas.

Fim.

Nenhum comentário: